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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Vaticano: Papa defende famílias numerosas e diz que pobreza deriva das injustiças econômicas.

Cidade do Vaticano, 21 jan 2015 - O Papa Francisco renovou hoje no Vaticano os seus elogios às famílias numerosas e criticou quem associa o número de filhos ao aumento da pobreza no mundo.
“Posso dizer, podemos todos dizer, que a principal causa da pobreza é um sistema econômico que retirou a pessoa do centro e ali colocou o deus dinheiro”, alertou, na audiência geral desta semana, perante milhares de pessoas que aplaudiram a intervenção.
Francisco condenou um “sistema econômico que exclui, exclui sempre, as crianças, os idosos, os jovens, os desempregados, e que cria a cultura do descarte”.
“Habituamo-nos a ver pessoas descartadas e este é o motivo principal da pobreza, não as famílias numerosas”, afirmou.
O Papa recordou a sua recente viagem às Filipinas e a questão que lhe foi colocada, na viagem de regresso a Roma, entre a pobreza no país asiático e as famílias numerosas.
“Ouvi dizer que as famílias com muitos filhos e o nascimento de tantas crianças estão entre as causas da pobreza. Parece-me uma opinião simplista”, lamentou.
Segundo, Francisco, as famílias saudáveis são “essenciais” para a vida da sociedade.
“Dá consolação e esperança ver tantas famílias numerosas que acolhem os filhos como um verdadeiro dom de Deus. Elas sabem que cada filho é uma bênção”, sustentou.
A posição surge dois dias depois das declarações do Papa, em conferência de imprensa, sobre “paternidade responsável”, com recurso aos “meios lícitos”, os métodos naturais de planejamento familiar.
“Alguns pensam que - desculpem a expressão - para serem bons católicos não é preciso ser como os coelhos? Não. Paternidade responsável: isso é claro e por isso há na Igreja grupos de casais, peritos nesta matéria”, disse, no vôo entre Manila e Roma.
No dia 28 de dezembro de 2014, o Papa tinha recebido no Vaticano delegações de famílias numerosas, que apresentou como “uma célula mais rica, mais vital” da sociedade.
“Num mundo muitas vezes marcado pelo egoísmo, a família numerosa é uma escola de solidariedade e de partilha”, disse então.
Francisco repetiu esta manhã, por outro lado, os alertas contra as tentativas de “colonização ideológica” em relação à “identidade e missão” das famílias.

“É preciso defender as famílias, que enfrentam várias ameaças, para que possam testemunhar a beleza da família no projeto de Deus”, declarou.

Fonte: Ecclesia 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A estrela de Cristo brilha sobre todos


            Hoje, dia 04 de janeiro, é festa da Epifania do Senhor. O termo grego epifania, dado a esta festa, significa manifestação, revelação. Em Jesus Cristo nascido em Belém, Deus revela o seu amor e manifesta a sua salvação para todos.
            A festa da manifestação do Senhor é celebrada no Brasil no domingo entre os dias 2 e 8 de janeiro, por motivos pastorais. No calendário litúrgico é dia 06 de janeiro. Ela está ligada  à passagem bíblica da ida dos magos do Oriente a Belém para prestar homenagem ao Rei dos Judeus (Mt 2,1-12). Os Magos seguem uma luz procurando uma Luz.  A estrela surgida no céu acende nas suas mentes e nos seus corações uma luz que os encaminha para a grande Luz, que é Cristo. Os Magos seguem fielmente aquela luz, que os penetra interiormente, e encontram o Senhor.
            Os Magos do Oriente simbolizam o destino de cada pessoa, o itinerário para a fé: a nossa vida é um caminhar, guiado pelas luzes que iluminam a estrada, para encontrar a plenitude da verdade e do amor, que nós, cristãos, reconhecemos em Jesus, Luz do mundo. Jesus está ainda hoje no mundo. É preciso procurá-lo com a fé. Para encontrá-lo é necessário passar, como os Magos, por Jerusalém, isto é, por meio da Igreja.
            Estes procuram, perguntam pelo menino, não pretendem descobri-lo sozinhos. Deixam de ver a estrela durante algum tempo. A luz está ausente no palácio do rei Herodes. Lá reina a escuridão, a desconfiança, o medo, a inveja. Herodes mostra-se apreensivo e preocupado com o nascimento de um frágil Menino, que ele sente como rival. No entanto, os Magos não desanimam diante das primeiras dificuldades. Eles souberam superar aquele perigoso momento de escuridão junto de Herodes, porque acreditaram nas Escrituras, na palavra dos profetas que indicava Belém como o local do nascimento do Messias. Escaparam da escuridão do mundo. Põem-se novamente na estrada, veem de novo a estrela, e “sentiram uma alegria muito grande”  (Mt 2,10). Encontram o menino, o Príncipe da Paz deste mundo. Cristo é a luz do mundo.
            No mistério do Natal, a luz de Cristo irradia-se sobre a terra. A Virgem Maria e José são iluminados pela presença divina do Menino Jesus. A luz do Redentor manifesta-se depois aos pastores de Belém, os quais, avisados pelo anjo, vão imediatamente à gruta e nela encontram o "sinal" que lhes fora preanunciado: um menino numa manjedoura. O esplendor de Cristo, por fim, atinge os Magos, que constituem as primícias dos povos pagãos. Permanecem na escuridão os palácios do poder de Jerusalém, onde a notícia do nascimento do Messias é levada pelos Magos, e não suscita alegria, mas temor e reações hostis. Misterioso desígnio divino: "a Luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à Luz, porque as suas obras eram más" (Jo 3, 1).
Anunciar e manifestar Cristo ao mundo é o grande desafio para todos os batizados. Muitos ainda não conheceram a Cristo e nem Cristo foi ainda manifestado. Assim como somos guiados pela luz de uma estrela que Deus coloca em nosso caminho, também somos chamados a refletir esta luz para tantos irmãos e irmãs que necessitam ter suas vidas iluminadas.
            A festa da Epifania nos convida a seguir o exemplo dos Magos. Que, com as nossas pequenas luzes, procuremos a Luz e guardemos a fé.
                                                                                                                             

Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena – Bispo de Guarabira(PB)